Além do Ocaso: poder, território e sociedade numa Gallaecia em transformação (sécs. IV–VII d.C.)

18 e 19 de setembro 2026
Organizado por: Celtia Rodríguez González, Diego Machado e Alexandre Magalhães
O desaparecimento de qualquer império constitui um fenómeno complexo e recorrente na história, amplamente debatido pela historiografia. Longe de ser interpretado como um colapso repentino ou como um acontecimento pontual, o fim de um império deve ser concebido como um processo prolongado de transformação estrutural, no qual intervêm diversos factores de natureza política, econômica, social e cultural. No caso do Ocidente romano, a progressiva perda do poder central, as tensões internas no interior das fronteiras imperiais e as dificuldades crescentes em sustentar o aparelho militar entre os séculos III e V d.C. criaram as condições propícias para a desarticulação do sistema imperial. Estes processos deram origem a uma reconfiguração política e social que começou a delinear-se desde as fases iniciais dessa mudança, produzindo novas formas de poder com uma marcada dimensão social e espacial. Longe de representar uma ruptura abrupta com a ordem precedente, estas transformações evidenciam a emergência de realidades adaptadas a novos contextos históricos. Contudo, esta desarticulação não ocorreu de forma homogénea em todos os territórios que integravam o Império, assumindo ritmos e características diversas consoante os contextos regionais.
Neste enquadramento, o presente seminário centrar-se-á no estudo da Gallaecia tardo-romana, enquanto um dos primeiros cenários de reconfiguração política, social e económica do Ocidente europeu. O seu objectivo é analisar os processos de transformação política, social e territorial associados à desarticulação do poder imperial romano no Ocidente, tendo como referência a Gallaecia dos séculos IV a VI d.C. Para tal, será dado especial relevo às dinâmicas de continuidade, adaptação e reconfiguração do poder no início da Alta Idade Média, bem como à diversidade de abordagens teóricas e metodológicas proporcionadas pela arqueologia a partir de uma perspectiva interdisciplinar.
PROGRAMA DO ENCONTRO
18 de setembro de 2026
Lugar: Unidade de Arqueologia, Convento de São Francisco de Real
9:00 – 9:30h Sessão de abertura Helena Paula Carvalho (Diretora UAUM), Maria José Sousa (Museu D. Diogo de Sousa), Celtia Rodríguez González (Organização)
9:30 – 10:00h Conferência de abertura Carlos Tejerizo García (Universidade de Salamanca)
Exceção ou normalidade? O campesinato alto medieval no noroeste peninsular no seu contexto arqueológico
10:00 – 10:15h Rebeca Blanco Rotea (Universidade do Minho)
Entre os séculos IV e VII: reflexões sobre espacialidades urbanas e lógicas de poder na Gallaecia
10:15 – 10:45h Descanso / Coffee-Break
10:45 – 11:00h Francisco Folgueira Ríos (Universidade de Santiago de Compostela)
Entre o ocaso e o esplendor: Lucus e o seu território entre o final do século IV e o VII d.C.
11:00 – 11:15h Diego Machado (Universidade do Minho)
Migrações e poder sobre a terra: transformações demográficas em Bracara (Braga, Portugal) e a organização das regras monásticas
11:15 – 11:30h Celtia Rodríguez González (Universidade de Santiago de Compostela)
Campesinato, género e práticas quotidianas: uma abordagem arqueológica à Gallaecia da primeira Alta Idade Média
11:30 – 11:45h Francisco Andrade (Universidade do Minho)
Dinâmicas de cristianização e poder na periferia de Bracara (séculos IV-VII): Ritmos e principais elementos
11:45 – 12:00h Diego Torres Iglesias (Museu do Castro de Viladonga)
O fim de uma Era: os contextos tardios do castro de Viladonga
12:00 – 12:30h Conferência de Encerramento: Luís Fontes (Universidade do Minho)
“A região de Braga entre os séculos V e VII: além do ‘ocaso’, a ‘aurora’ ”
12:30 – 13:00h Debate
15:30 – 18:00h Visita à Falperra (Lugar de encontro: Miradouro da Falperra – Estátua de N. S. da Assunção) – A cargo de Alexandre Magalhães
19 de setembro de 2026
10:00 – 12:00h Visita ao Museu D. Diogo de Sousa
